Por Frei Aloísio Oliveira Em Lendo o Evangelho

O cumprimento perfeito da Lei é o Amor (Rm 13,10)

No Lendo o Evangelho deste domingo (31), Frei Aloísio medita sobre o principal mandamento de Deus: o amor

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Saber qual o principal mandamento que seja alicerce que sustenta e unifica todos os outros mandamentos contidos nas Escrituras era uma preocupação muito antiga na espiritualidade judaica.

O trecho do evangelho de hoje aborda este tema, quando um escriba confronta Jesus exatamente com a questão: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” Jesus responde com um texto da tradição religiosa do seu povo, uma oração que todo fiel rezava frequentemente: “Ouve, ó Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor! Portanto, amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força” (Dt 6,4-5). Mas Jesus não para aí. Ele cita um segundo mandamento que completa o primeiro: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, e conclui: “Não existe outro mandamento maior do que estes” (Mc 12,31).

Amar a Deus e ao próximo constitui o duplo primeiro mandamento, porque se não se passa por ele, os outros mandamentos não servem. Não se pode amar a Deus sem amar seus filhos e filhas. Em sua Primeira Carta, São João exprime isso com a clareza da luz solar ao dizer: “Se alguém diz que ama a Deus, mas odeia o irmão é um mentiroso, pois quem não ama o irmão a quem vê não poderá amar a Deus a quem não vê” (1Jo 4,20).

Para Jesus, portanto, o mandamento fundamental que é a base de todos é o Amor, o qual possui duas formas de expressão: amor a Deus e amor aos irmãos e irmãs. Só esse Amor consegue captar o sentido da vida como o Pai amoroso a concebeu. Quem ama, de verdade, não se contenta em fazer o mínimo que a lei exige, mas se dispõe a realizar o máximo de que o amor é capaz. Por isso, amar a Deus e a seus filhos e filhas não se trata de meros sentimentos. É coisa muito prática. Implica amar os irmãos e irmãs “com ações e em verdade” como nos diz São João (1Jo 3,18). Com a parábola do Bom Samaritano narrada no Evangelho de São Lucas, Jesus ensina que esse amor se torna próximo de qualquer necessitado e se estende a todos inclusive aos inimigos (cf. Lc 35-36).

Vivemos, hoje em dia, num mundo cada vez mais materialista, de forma declarada ou implícita, no qual a fé em Deus se tornou muito diluída. Muitos afirmam que o amor que conta mesmo é o amor ao próximo; e que para amar o próximo, Deus não é necessário.

Qualquer um, inclusive o ateu, pode amar o próximo fazendo o bem a ele por simples princípio de humanitarismo. Sem negar a capacidade de qualquer pessoa poder fazer o bem, descartar a Deus como acessório supérfluo será sempre um equívoco, um tropeço a causar danos.

Com efeito, para o ser humano sempre haverá uma instância suprema. Se não for o Deus revelado por Jesus Cristo, que está acima de todos, nos colocamos a nós mesmos em seu lugar. Assim, pretendendo amar nossos semelhantes sem recorrer a Deus, terminamos por amar a nós mesmos, nossos projetos, ideologias e utopias, ou meramente nossos escusos interesses pessoais, sob pretexto de humanismo.

Ser bonzinho para com o próximo, quando isso vem ao encontro de nossos interesses, é fácil. Difícil é colocar nossa bondade para com as pessoas sob o critério de Deus, que pode ser diferente de nossa maneira inevitavelmente egocêntrica de avaliar. Amar o outro como Deus deseja, não como nos agrada, isto é o que nos ensina o primeiro mandamento. Para amar os irmãos e irmãs autenticamente, temos de viver em busca do Deus revelado em Jesus Cristo, em quem o Amor se fez serviço, lava-pés, eucaristia, plena doação de si mesmo.

Escrito por
Frei Aloísio, Ministro Provincial
Frei Aloísio Oliveira

É Ministro Provincial da Província São Francisco de Assis dos Frades Menores Conventuais e especialista em Sagrada Escritura.

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