Por Frei Aloísio Oliveira Em Lendo o Evangelho

O poder que Jesus dá aos apóstolos

“E se algum lugar não vos receber e não vos quiser escutar” (Mc 6,11a)




Quando Jesus confere aos discípulos poder sobre os espíritos imundos, faz deles colaboradores de Sua missão e participantes de Sua autoridade. Tal poder dá credibilidade à Palavra que haverão de anunciar (cf. Mc 6,12).

Naquele momento, a missão dos apóstolos restringia-se à região da Galileia, porém, o evangelho por eles anunciado devia chegar ao mundo inteiro (cf. Mc 13,10). Portanto, seja o grupo dos Doze, seja sua primeira atividade, mesmo limitada, constituem um elo entre Jesus e a Igreja. A atividade de Jesus amplia-se por meio deles que se tornam, dessa forma, vanguardistas da missão da Igreja.

A exigência de partir sem equipamento nenhum ressalta a necessidade do seguimento radical a Jesus. Os “apóstolos” podem levar os meios necessários à viagem (bastão, sandálias), porém não ao sustento (pão, bolsa de provisões, dinheiro, roupas extras).

Em outras palavras, eles, como Jesus que acabara de ser rejeitado na própria cidade de origem (cf. Mc 6,3-4), deviam assumir a condição de peregrinos na terra. Porém, essa renúncia dos discípulos tem de ser vista em conexão com a mensagem que devem proclamar e com Aquele que os envia. Com efeito, a eficácia da Palavra do Senhor não depende de recursos humanos. Ela tem seu curso autônomo (cf. Mc 4,26-27).




A orientação para sacudir o pó dos pés significa ruptura de comunhão. O judeu fazia algo semelhante quando chegava à pátria retornando de uma terra estrangeira.

Por isso, o gesto poderia significar que o lugar onde as pessoas não queriam escutar a palavra era considerado uma região pagã e impura. Daí, a importância da frase: “E se algum lugar não vos receber e não vos quiser escutar” (Mc 6,11a).

A rejeição ao mensageiro é rejeição à mensagem salvadora. Não é a pessoa do anunciador que conta, mas a mensagem de salvação que ele leva. Por isso, não receber e não ouvir o evangelizador é comportar-se como nação estrangeira que desconhece a Palavra da Aliança.

A unção com óleo de oliva, seja entre os judeus ou seja entre os gregos, era um meio para curar feridas. Contudo, se o Evangelho menciona esta atividade como parte da ação evangelizadora dos apóstolos, tudo indica que a unção dos doentes mais que visar simplesmente à recuperação da saúde, revestia-se de um sentido religioso. A cura dos enfermos alcançada pela unção com óleo era, portando, sinal da soberania de Deus no mundo e da irrupção de Sua ação salvadora.

Escrito por
Frei Aloísio, Ministro Provincial
Frei Aloísio Oliveira

É Ministro Provincial da Província São Francisco de Assis dos Frades Menores Conventuais e especialista em Sagrada Escritura.

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