Por Diego Lima Em Formação

Quaresma: tempo de penitência e ação

No período em que a Igreja nos convida para, de modo especial, nos reconciliarmos com Deus, também devemos transformar nossa penitência em ações fraternas




Salve, galera! Chegamos ao mês de fevereiro, tradicional pelo Carnaval que, em muitos lugares, foi adiado por conta deste momento atípico que todo o mundo tem enfrentado. Contudo, o calendário litúrgico não para e o período quaresmal já se aproxima.

Como de costume, esse período tão especial da vivência da fé cristã nos convida a fazer uma caminhada mais próxima a Jesus, para celebrarmos a grande festa da vida: a Páscoa da Ressurreição. É comum, durante esse período, sermos convidados para praticarmos penitência, sacrifícios e jejuns. Mais do que tradição, é um período forte para a prática penitencial da Igreja, conforme nos aponta o Catecismo da Igreja Católica. "Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações em sinal de penitência, as privações voluntárias como o jejum e a esmola, a partilha fraterna (obras caritativas e missionárias)" (CIC 1438).

Você deve estar se perguntando o sentido desse termo que pode soar forte: "penitência"... Mas Jesus, em seus ensinamentos, no-los apresenta como o caminho da salvação. "Fazei penitência, pois o Reino dos céus está próximo" (Mt 4,17). Fazer a mortificação dos sentidos nos faz lembrar de que Deus é o centro da nossa vida. O Papa Bento XVI, em sua mensagem para a Quaresma do ano de 2013, nos ajuda a entender esse chamado. "A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola", escreveu o Santo Padre Emérito.

"Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!", exorta São Paulo (2 Cor 5,20). Nesse sentido, a Quaresma nos oferece, então, esse "tempo favorável" para voltarmos a Deus. Por isso fazemos penitência. Jesus, durante quarenta dias, jejuou e rezou antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo (cf. Lc 4,1-13). Da mesma maneira, a Igreja nos ensina como vencer as tentações de hoje com oração, jejum e penitência.

Vencemos o pecado praticando a virtude oposta a ele, como rezamos na oração de São Francisco:

Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

E essas são boas penitências para a Quaresma. Afinal, em sua homilia de 16 de fevereiro de 2018, o Papa Francisco nos questiona: "Mas que penitência e que jejum quer o Senhor do homem? Com efeito, o risco é 'maquiar' uma prática virtuosa, ser incoerente. E não se trata apenas de 'escolhas alimentares', mas de estilos de vida em relação aos quais se deve ter a humildade e a coerência de reconhecer e corrigir os próprios pecados".

Deixar de comer alguma coisa de que gostamos, por exemplo, é um tipo de privação voluntária que contribui para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade interior. Contudo, o Santo Padre nos explica que o verdadeiro jejum é inseparável de ação. "É o jejum verdadeiro, aquele que engloba a vida de todos os dias. Por isso é necessário: eliminar o vínculo de domínio, desatar as correntes más, pôr fim a qualquer escravidão (...) dividir o pão com o faminto, vestir alguém que vês nu", relata.

Além disso, praticar aquilo que nos convida o período quaresmal não é só nos aproximarmos de Deus, mas também de Maria. O Papa Francisco, em 8 de dezembro de 2020, dia da Solenidade da Imaculada Conceição, após a oração mariana do Angelus, explicou que "as flores de que Ela mais gosta são a oração, a penitência e o coração aberto à graça".

Por isso, façamos uma reflexão sobre esse momento em que somos chamados a abrir os nossos corações. Que possamos ir além e transformar nossa penitência em ação para que o mundo seja um lugar mais fraterno e rico em amor e bondade. Boa Quaresma e até a próxima!

Escrito por
Diego Lima
Diego Lima

Jornalista e consagrado a Nossa Senhora pelo método de São Maximiliano Kolbe, Diego escreve para a revista Jovem Mílite.

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