Por Clara Lis Em Nossa Senhora

A Virgem de Copacabana

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Na terceira Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho, realizada no ano de 1979, na cidade de Puebla, no México, os bispos ali reunidos afirmaram que o tema da cultura no continente era um dos principais assuntos a serem tratados nesta reunião e de fato o foi.

Para nós, logicamente, o que interessa agora é poder descobrir de que forma Maria está presente nesta cultura tão rica, variada, diversa e heterogênea.

Para nós, logicamente, o que interessa agora é poder descobrir de que forma Maria está presente nesta cultura tão rica, variada, diversa e heterogênea.

O ponto a ser destacado aqui é que a devoção mariana, além de ser um “elemento qualificador e intrínseco do culto cristão”, faz parte da própria identidade dos povos do continente, o que equivale a dizer que estes povos são cultural e religiosamente marianos.

A partir disto, queremos neste artigo descobrir e conhecer a riqueza e o enorme valor que tem a história e a teologia da Virgem de Copacabana.

Além do evento de Nossa Senhora de Guadalupe, outro momento marcante e importante da inserção histórica de Maria na América Latina é o da Virgem de Copacabana, que como diz o historiador Vargas Ugarte: “todos os que têm se dedicado ao Santuário de Copacabana, desde Frei Alonso Ramos Gavilán, na história do mesmo; Frei Reginaldo Lizárraga, na sua descrição do Peru; as cartas anuais da Companhia de Jesus, só para citar documentos do tempo, reconhecem que a imagem feita por Tito Yupanqui foi um meio do qual a providência se serviu para atrair os índios à fé. Por isso, escolheu a Virgem, como trono de suas misericórdias, uma região das mais povoadas do Peru e na qual tinha se consolidado a idolatria. Até a chegada da imagem às populações ribeirinhas do Lago Titicaca, se havia pregado certamente o evangelho às gentes, tinham-se estabelecidos doutrinas. Porém, para os cronistas daquele tempo, ainda persistiam nelas as práticas da idolatria, e seu ingresso na Igreja de Cristo era, como dizia o vice-rei Toledo, aparente e quase que forçado”.

A Virgem de Copacabana é uma imagem de terracota, feita por volta do ano 1580, daí a sua relação entre a maternidade de Maria e a Pachamama, a mãe-terra para as culturas indígenas do Peru. Na época pré-colombina já existia um afamado santuário indígena no lago Titicaca. Parece que o lugar de adoração dos deuses originalmente ficava numa ilha perto do povoado de Copacabana, e era um grande penhor, de onde os índios, segundo a lenda, viram sair resplandecente o sol depois de vários dias de intensa obscuridade. Uma vez conquistada a província de Collao, os incas tomaram sob sua proteção este santuário, construindo um belo templo ao deus Sol junto à pedra sagrada; numa outra ilha perto, edificaram um templo à Lua. Dizem que eram em grande número e quantidade os peregrinos que vinham à pedra santa, da qual não podiam se aproximar caso as consciências estivessem manchadas e não tivessem alguma oferta concreta.

Existia também um culto muito forte a Pachamama, a deusa terra, entre os agricultores. Ainda hoje ficam resquícios do culto à mãe-terra, e para os indígenas isto é muito importante. Pachamama era e continua sendo até os dias de hoje, o princípio materno de identificação do mundo indígena, a mãe terna, o seio materno que deviam tratar com muito carinho e do qual dependiam as suas vidas.

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