Espiritualidade

Os objetivos do Ano Vocacional 2023

Núria Coelho conversou com Dom José Albuquerque de Araújo, Bispo Auxiliar de Manaus, e referencial da CNBB para o serviço de animação vocacional

Escrito por Núria Coelho

14 FEV 2023 - 00H00

Divulgação

Qual a motivação para este Ano Vocacional?

Celebrar a riqueza das vocações e ministérios nas nossas comunidades é a primeira motivação. Recordamos o primeiro Ano Vocacional em 1983; 20 anos depois houve o segundo Ano Vocacional, 2003. Queremos celebrar o terceiro fazendo um convite para nos unirmos e agradecer a Deus pela nossa vocação, nossa pertença à Igreja; vamos ter mais uma oportunidade de rezar e perceber a missão que temos para cumprir.

Qual o objetivo?

É um convite para que todos possam aprofundar a teologia da graça e da missão. Precisamos desenvolver a consciência missionária de todos os batizados e queremos acompanhar os jovens para que sintam despertar a vocação, fortalecer a oração pelas vocações e fortalecer as equipes vocacionais nas paróquias, que devem caminhar com as outras pastorais.

Que atividades estão previstas?

Ao longo de todo ano de 2023 momentos bonitos marcarão a reflexão. O mês de agosto é tradicionalmente celebrado como o mês vocacional que recorda a cada domingo uma maneira de seguir a Cristo. Ao longo do ano diversos outros momentos serão significativos. Em fevereiro temos o dia da vida consagrada, que será celebrado agradecendo os dons e carismas dos nossos monges, freis, freiras e pessoas consagradas. Também no Dia das Mães e no Dia dos Pais vamos celebrar com perspectiva vocacional, assim como na Semana Nacional da Família. Em outubro celebraremos a vocação missionária. É um chamado para caminhar juntos e para nortear nossas atividades com um pensamento e uma oração pelas vocações.

O Papa Francisco nos convida por meio da exortação apostólica Querida Amazônia à defesa da natureza. Como o ano vocacional se insere nessa dinâmica?

Pelo fato de sermos cidadãos e estarmos enfrentando tantos desafios em nosso dia a dia, somos chamados a amar e a servir também por meio da política que é uma forma de promoção do bem comum. Para nós que vivemos na Amazônia, e também para todo o Brasil, é preciso reconhecer nossa vocação de cristãos e cidadãos em defesa da vida das pessoas e da floresta. Precisamos responder à proposta concreta de Jesus de amar e cuidar dos mais pobres.

Qual o sentido do tema do Ano Vocacional 2023 que é “Vocação: Graça e Missão” e do lema “Corações ardentes, pés a caminho” (Lc 24,32-33)?

Estamos nos inspirando na carta pós-sinodal que o Papa Francisco escreveu sobre a juventude, intitulada “Christus vivit”. A vocação é realmente um dom, uma graça; é também uma aliança, uma proposta que Deus faz para nós. Vocação é, ao mesmo tempo, graça e missão. Deus nos envia para sermos Suas testemunhas. O tema do ano vocacional traz essa perspectiva: é graça e compromisso. O lema recorda o encontro bíblico de Jesus ressuscitado que caminha com os Seus e ajuda a ver o mundo sob nova ótica. O lema fala do coração que ardeu quando os discípulos ouviam Jesus, e isso deve acontecer com o nosso também ao ouvir o chamado de Jesus; e nossos pés devem se colocar em missão para anunciar Jesus ressuscitado. Esse ano vocacional é uma ocasião para que mais corações ardam e mais pés se coloquem a caminho.

Como as comunidades podem se envolver nessa dinâmica?

Nas orações cotidianas, sobretudo podemos dedicar uma prece para que Jesus chame sempre novas pessoas para os caminhos da vida consagrada, para o sacerdócio e para o matrimônio. A primeira atividade, digamos assim, é rezar mais para ouvirmos Jesus que nos impele. O Ano Vocacional deixa sempre em aberto as possibilidades de atuação porque realizamos os festejos, as missões e os retiros que podem sempre contemplar esse espírito de renovação do espírito batismal. Que possamos agir com criatividade porque a proposta é que cada grupo cumpra seus objetivos tendo presente a perspectiva do Ano Vocacional. De modo pessoal, precisamos ser uma presença cristã nos ambientes em que convivemos, na família, nas comunidades, nas redes sociais.

Como podemos fazer com que mais jovens participem da Igreja?

Não é difícil trazer os jovens para a Igreja, não devemos olhar dessa forma. Devemos olhar como um desafio. Todo jovem tem um sonho e um desejo de felicidade, tem a vontade de ajudar o mundo a ser melhor, e nós queremos mostrar que Jesus é nosso amigo e companheiro. A proposta da Igreja para a juventude é apresentar Jesus Cristo não como um personagem da história, mas como aquele que vem ao nosso encontro e nos convida a caminhar com Ele e descobrir como a vida é bela.

Quais os desafios para assumirmos a dimensão missionária?

Precisamos anunciar a esperança. O mundo precisa que sejamos otimistas e gratos. Os sinais do Reino de Deus estão no meio de nós. Há tantos sinais de morte, mas não podemos perder a alegria da vida, devemos celebrar as pequenas conquistas e perceber que o bem vence o mal, e que o amor é a resposta aos problemas humanos. Não podemos ficar paralisados por aqueles que não querem caminhar com a gente, não querem sonhar juntos. Que possamos deixar que Deus inflame nosso coração com amor para que possamos ser felizes. O importante é não estarmos de braços cruzados e nem parados, precisamos seguir em frente, criando novos caminhos e deixando marcas na história.

Fonte: O Mílite

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