Por Espiritualidade Em Perfume de Francisco

São Francisco de Assis e a conversão apostólica

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Frei José Antônio Corniatti
Franciscano Menor Conventual

O grande feito de Francisco, o maior e o principal de todos, é o de sua conversão. Francisco tinha a certeza de que o sentido de sua vida era seguir Jesus Cristo Crucificado, mas como faria isso?

Após o desligamento do pai, da família e do mundo, Francisco começou a viver como eremita. Já era um religioso, mas sentia que lhe faltava algo: um novo caminho que lhe proporcionasse imitar mais de perto Jesus Cristo crucificado. Essa graça lhe adveio no dia da festa do Apóstolo São Matias no ano de 1208, na igrejinha de Santa Maria da Porciúncula, quando participava da Missa.

O sacerdote proclamou o Evangelho no qual Jesus ordena aos Apóstolos a irem pelo mundo para pregar o Reino de Deus e a penitência, e que não deviam levar nada pelo caminho, nem ouro, nem prata, nem sacola, nem alforje, nem pão, nem bastão e nem tivessem calçados, nem duas túnicas.

Ao ouvir essa ordem de Jesus, Francisco sentiu-se tomado por um novo sentimento e, imediatamente, entusiasmado no Espírito de Deus, disse: “É isso que eu quero, isso que procuro, é isso que eu desejo fazer com todas as fibras do coração”. E, como não era ouvinte surdo, mas cumpridor fiel da Palavra do seu Senhor, tratou de pôr logo tudo em prática. Por isso e para isso tratou de:

• Gravar na memória todas as coisas que ouvira e esforçar-se alegremente por cumpri-las;

• Largar as vestes duplas, o bastão, os calçados, a sacola e o alforje de eremita;

• Fazer para si uma túnica muito desprezível e tosca;

• Lançar fora a correia e tomar como cinta uma corda;

• Começar a fazer-se anunciador da perfeição evangélica e a pregar a paz e a penitência em público, com simplicidade e com toda a solicitude do coração, percorrendo povoados, castelos e cidades.

Francisco, além de ter como novo Senhor, Jesus Cristo crucificado, tinha, também, uma nova missão: a missão dos Apóstolos. Por isso, essa conversão pode ser chamada, com razão, de “conversão apostólica”. Viver a vida dos Apóstolos (os enviados) significa desprender-se de tudo e de todos para, livre, poder ir por todas as partes do mundo a fim de testemunhar Jesus Cristo crucificado pela palavra e pelo exemplo. Anunciar Jesus Cristo, pregar Seu Evangelho era o fogo que ardia sem cessar no coração dos Apóstolos e que começou a incendiar o coração de Francisco. Por isso, a nova vida que ele começou a perseguir era a vida missionária dos Apóstolos, ou, simplesmente: a vida apostólica.

A conversão apostólica de Francisco foi uma sacudida na Igreja daquele tempo e, hoje, o Papa Francisco nos exorta de novo a evangelizar com espírito: “Evangelizadores com espírito quer dizer evangelizadores que se abrem sem medo à ação do Espírito Santo. No dia de Pentecostes, o Espírito faz os Apóstolos saírem de si mesmos e transforma-os em anunciadores das maravilhas de Deus, que cada um começa a entender na própria língua.

Além disso, o Espírito Santo infunde a força para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia (parrésia), em voz alta e em todo o tempo e lugar, mesmo contracorrente. Invoquemo-Lo hoje, bem apoiados na oração, sem a qual toda a ação corre o risco de ficar vã e o anúncio, no fim de contas, carece de alma. Jesus quer evangelizadores que anunciem a Boa Nova, não só com palavras, mas, sobretudo com uma vida transfigurada pela presença de Deus” (Evangelii Gaudium 259).

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