Por Bárbara Rodrigues Em Minha História de Fé Atualizada em 21 MAI 2019 - 10H54

Da dor à dádiva

Como continuar acreditando em Deus quando algo tão ruim acontece a um filho?

Após a morte de Wander Luiz, Iraci procurou em Nossa Senhora e na Rádio Imaculada Conceição o auxílio para aprender a aceitar a perda de seu filho.

No dia 2 de setembro de 1995, Wander Luiz, de 20 anos, terminou seu expediente como office boy e foi para casa se arrumar para sair com seus amigos. Sua mãe, Iraci, já estava acostumada com as saídas noturnas. Ele era muito animado e gostava de se divertir. Antes de sair, o jovem deu um beijo em Iraci e pediu para ela não se preocupar. Naquela noite, Iraci foi dormir cedo, mas, no meio da madrugada, acordou com o telefone tocando. A notícia, dada às 3h da manhã, parecia ser uma brincadeira de mau gosto. Pelo telefonema, um desconhecido contou a Iraci que Wander Luiz, ao sair do local onde estava, foi assassinado com 2 tiros por um motoqueiro. Abalada, Iraci saiu às pressas para reconhecer o corpo do filho no Hospital Geral de São Mateus, em São Paulo - SP.

Depois daquele dia, o mundo de Iraci desmoronou e, com ele, sua fé. Como acreditar em Deus quando Ele permitiu que algo tão ruim acontecesse com seu filho? Por que Nossa Senhora pôde receber em seus braços seu filho morto e depois o viu ressuscitado e ela não? Questionamentos como estes faziam o coração de Iraci amargar e seu estado piorar. Ela já não comia e nem conversava com ninguém.

Meses depois, o INSS agendou o dia para Iraci receber a pensão por morte de Wagner Luiz. Ela tinha postergado este dia o máximo que pôde, mas como a polícia ainda não tinha dado uma explicação sobre o assassinato do filho, resolveu ir ao banco no dia 10 de fevereiro de 1996.

Enquanto esperava para receber a pensão, Iraci tremia de nervosismo. Ela estava preocupada com a possibilidade de perder os sentidos quando o dinheiro lhe fosse entregue. Com medo, Iraci rezou pedindo a Nossa Senhora que a ajudasse a manter a calma e, em gratidão, ela procuraria uma obra que fosse mariana para fazer uma grande doação. Nesse momento, Nossa Senhora veio em seu auxílio e tudo correu bem.

Ao chegar em casa, Iraci ligou o rádio para procurar uma estação que falasse de Nossa Senhora. Quando encontrou a RIC 1490 AM, ouviu um locutor pedindo aos ouvintes que ajudassem a Milícia da Imaculada. Imediatamente, Iraci entrou em contato com o Atendimento ao Mílite e assumiu o compromisso de realizar mensalmente uma doação.

Iraci começou a ouvir a programação da Milícia da Imaculada em busca de conforto. As pessoas ao seu redor se preocupavam e aconselhavam-na a buscar ajuda de um psicólogo, mas ela se recusava, pois dizia que seus maiores psicólogos eram Deus, Nossa Senhora e a rádio.

No ano seguinte, Iraci perdeu sua mãe. O sofrimento, que estava escondido em seu coração, brotou mais uma vez e, quando resolveu passar, duas de suas irmãs vieram a falecer, uma delas deixando um filho doente para Iraci cuidar.

A pressão emocional era tanta que Iraci resolveu procurar ajuda profissional. Os médicos, instruídos pelo dom de Deus, que até então ela rejeitava, ajudaram-na a enxergar que por trás de todo aquele sentimento existia a beleza do continuar e do amadurecer.

Iraci nunca se arrependeu de ter sido mãe e ter formado uma grande família. Foi graças à união daqueles que a amam, Deus, Nossa Senhora e a Milícia da Imaculada, que ela foi capaz de sobreviver e entender que a vida não pode ser tirada, somente transformada pelo amor de Deus, assim como a vida de Wander Luiz e a sua foram.

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