Por Núria Coelho Em A Santa Missa Atualizada em 04 OUT 2021 - 16H57

Olhar para São Francisco com um olhar romântico

Hoje (04) é o dia do padroeiro da ecologia, o protetor dos animais e aquele que defende a natureza e a criação




O Frei José Hugo, Ministro Provincial dos Frades Menores Conventuais, presidiu hoje a Santa Missa, no Santuário Imaculada Conceição e São Maximiliano Maria Kolbe, em São Bernardo do Campo, São Paulo, e comentou a Primeira Leitura (Jn 1,1-2,1.11) e o Evangelho de hoje (Lc 10,25-37).

Hoje (04) é festa de São Francisco de Assis e nós podemos olhar para São Francisco apenas com um olhar romântico. Lembrando que ele é o padroeiro da ecologia, o protetor dos animais e aquele que defende a natureza e a criação. Essa concepção não está errada, pois no Cântico das Criaturas, ele revela que toda a criatura é considerada como irmão e irmã e é por isso que ele considerado o protetor de toda a criação de Deus.

Corremos um outro risco de sentirmos uma espécie de desânimo, quando conhecemos a história dele. Um homem que viveu há 800 anos e ainda hoje é tão presente e respeitado, e difícil de imitar. Ele fez tantas mortificações, foi um homem conhecido pela dureza, sua radicalidade e pelas penitências que ele fazia com o próprio corpo. É mesmo difícil tentar ser como ele, pois pensamos que seriam ideias que pertencem à idade média, no tempo em que ele viveu.

Tudo precisa ser interpretado e atualizado. Francisco é tão atual na nossa vida e na igreja que o nosso Papa, que nem franciscano é, escolheu o nome de Francisco para seguir o seu pontificado. O papa foi extremamente corajoso, porque até agora nenhum outro papa havia assumido esse nome e ele escolheu esse nome forte porque a sua proposta era coerente com essa escolha. É possível nos nossos dias assumir esse santo tão forte.

No ano 1221 Francisco elaborava a sua primeira regra, essa regra não foi aprovada pela igreja, tanto é que foi uma outra, porém pelos historiadores essa primeira regra é considerada a que tem a intuição originária, aquilo que Francisco pensou realmente, sobre a Ordem dos Frades. Um documento de 24 capítulos, que vale a pena ser lido e meditado.

Francisco procurou registrar três pontos fundamentais nesse documento: O primeiro, os frades jamais deixariam de viver o Evangelho, essa era a regra máxima de Francisco, esse era a sua própria regra de vida, viver como Jesus viveu. Francisco tinha um carinho e uma preocupação muito grande com o Evangelho, essa seria a primeira regra de vida para todos os frades: viver o Evangelho na sua essência.

O segundo ponto seria viver o Evangelho em fraternidade, viver uma vida em comum com outros frades. Os franciscanos deveriam formar uma comunidade para trabalhar, orar e evangelizar.

O terceiro ponto era viver uma vida de simplicidade, de minoridade. Frades menores, significa viver uma vida simples com o maior desprendimento de si, ninguém deveria ser um herói ou se vangloriar de seus feitos. Quando Francisco olhava para a Cruz, ele queria também a cruz para si. Quando ouvimos o Evangelho de hoje a parábola do bom samaritano, esse trecho ilustra muito bem o dever de um franciscano.

Esse é um desafio que nos é proposto até hoje. Cada um no seu estado de vida e vocação.

A validade do carisma franciscano nesses nossos dias nos mostra que o mundo tem saudades de Francisco, saudades da sua simplicidade, pois nos tornamos muito complicados, saudades da sua fraternidade, pois nós nos tornamos muito anti fraternos, vivemos numa sociedade muito competitiva e vemos o outro como um oponente ou como uma ameaça e não alguém que pode nos ajudar ou que possamos fazer algo por ele.

Temos saudades da sua acolhida, do jeito caloroso e da sua alegria ao encontrar as pessoas, temos saudades de Francisco do seu desprendimento, pois tantas coisas nos prendem e nos tolhem a liberdade impedindo-nos de viver uma vida genuína e autêntica. E é por isso que esse modelo que São Francisco pregou é tão atual e tão necessário.

Por isso que esperamos que em todos os lugares e também aqui na Milícia da Imaculada possamos renovar esse carisma. Se não fosse por Francisco nem teríamos o Frei São Maximiliano Kolbe. Que através de Francisco a nossa consagração seja renovada, o nosso batismo seja vivificado e que a nossa missão seja cada vez mais forte e mais atuante.

Transcrição Marta Romero


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