Por Espiritualidade Em Formação

Boas férias!

A palavra férias, que vem do latim, evoca a ideia de tempo vago e remete a repouso, que quer dizer pousar, depositar.




Por Dom Pedro Cipollini, Bispo de Santo André

Em tempos de férias, a tendência é sair para passear e descansar. Nada melhor que as férias. Elas trazem junto a ideia de distração e descanso. Boas férias, em lugares agradáveis e em companhia de entes queridos, é a melhor imagem do paraíso. Proporciona descanso. E nós não chamamos o paraíso de descanso eterno? Pelo paraíso nem todos suspiram, mas por férias sim.

A palavra férias, que vem do latim, evoca a ideia de tempo vago que você vai preencher como achar melhor, fazendo coisas diferentes. Mas evoca muito mais a ideia de repouso.

A ideia de repouso quer dizer pousar, depositar. Deixar abaixar a poeira levantada por tantas atividades nas quais estamos imersos, às vezes, como que flutuando. Então é necessário repousar. Pousar de novo, descansar, o que não pode confundir com preguiça, férias de preguiça cansa.

É bom fazer algo nas férias, algo diferente e agradável. O descanso das férias está ligado a este fazer algo diferente e prazeroso.

Nossas inúmeras atividades nos distraem de nós mesmos; nos desconcentram de nosso centro, por isso, às vezes, ficamos irritados ou até deprimidos. É então que ouvimos os outros dizerem: precisa tirar férias! Neste sentido, as férias devem nos ajudar a retomar o contato íntimo e profundo conosco mesmo, e com nossa raiz mais elementar que é Deus. De fato, não podemos tirar férias de Deus, assim como não tiramos férias de nós mesmos, embora muitas pessoas tenham vontade.

Vontade de tirar férias de si mesmo! O que não é possível. No entanto, podemos dar férias aos outros de nós, o que não é de todo desaconselhável. Férias para descansar não pode ser fuga, mas distração, a qual através do contato com a natureza nos reconduza para dentro de nós mesmos e nos coloque em contato com nossas motivações mais profundas.

O papa Pio XII, certa vez chamou de “heresia do ativismo” a vida centrada num fazer contínuo e sem descanso, tão próprio da nossa época. Semana passada almoçando em um restaurante, sentou-se ao meu lado um casal que espalhou na mesa vários papéis. Enquanto os analisavam também falavam ao celular. Levaram o trabalho para o almoço. Assim, como alguns levam o trabalho para as férias. Os circunstantes observavam quietos, mas com o olhar todos pareciam reprovar.

E, no entanto, conforme o relato bíblico, Deus já nos deu o exemplo, fazendo-nos entender que precisamos descansar. O trabalho não pode escravizar ninguém. Lê-se na Bíblia que “No sétimo dia, Deus terminou todo o seu trabalho e então descansou” (Gn 2, 2). Que as férias nos proporcionem um bom descanso.

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