São Maximiliano Kolbe

O testemunho da fé de São Maximiliano Maria Kolbe

Quando pensamos em testemunho, lembramos de vários relatos de conversão ou pessoas contando maravilhas realizadas por Deus. No entanto, o testemunho de fé na vida dos santos nos convida a elevarmos a nossa compreensão sobre o que é dar testemunho

Escrito por Espiritualidade

14 AGO 2022 - 00H00 (Atualizada em 15 AGO 2022 - 14H24)

Divulgação

Frei Pacífico Santos
Franciscano Menor Conventual

Ao longo de nossa vida cristã ouvimos, em palestras, sermões, músicas de louvor, relatos da vida dos santos e das santas, sobre a importância do nosso testemunho. Acreditamos que seja válido perguntar: o que é dar testemunho?

O dicionário Aurélio ensina que testemunhar é: “ato que dá uma demonstração plena de algo; prova”. Seguindo esse raciocínio, testemunhar a fé é provar. Podemos compreender a frase anterior de dois modos: testemunhar a fé é dar demonstração plena de nossa confiança em Deus e, testemunhar a fé é provar, saborear, sentir o gosto, o cheiro e o toque daquele que depositamos a nossa confiança.

A partir dessas duas compreensões sobre testemunho, vamos nos aproximar de São Maximiliano Maria Kolbe e perceber como essas duas dimensões conseguem ajudar os cristãos de hoje com seu belo testemunho.

Qualquer busca feita sobre São Maximiliano Kolbe vai nos conduzir à sua devoção a Nossa Senhora com o título de Imaculada Conceição e ao seu martírio em Auschwitz. Exatamente estas dimensões nos levam a compreender o que é testemunhar a fé. Desde de sua infância, Kolbe teve uma proximidade muito grande com Nossa Senhora até o ponto de receber dela a visão de duas coroas: uma vermelha e outra branca, representando o martírio e a pureza.

O incrível em Maximiliano é não se acomodar com isso. Pelo contrário, em sua busca vocacional como franciscano, como sacerdote, como missionário, como comunicador, toda a vida de Kolbe foi uma “Santa Inquietação” movida pelo Evangelho e pelo amor à Virgem Imaculada. Leia MaisMI celebra São Maximiliano KolbeArquidiocese de Brasília lança ação de combate à pobrezaQuase metade dos brasileiros fazem bicos para ampliar rendaCNBB realiza segunda etapa da 59ª Assembleia Geral

Todo esse movimento na vida de São Maximiliano demonstra a sua confiança em Deus, e o cume de tudo isso vai acontecer na sua prisão, na Segunda Guerra Mundial. Ele poderia ter se conformado com a sua experiência miraculosa com a Virgem, mas não. Essa experiência moveu sua vida e o motivou a diversos projetos que até hoje cativam várias pessoas ao Evangelho de Jesus pelas mãos carinhosas da Imaculada. Em toda sua vida, São Maximiliano sentiu a presença de Deus através da Virgem Maria. Sentir a presença de Deus não é simplesmente uma sensação ou uma emoção.

Mesmo nos momentos de dificuldade, perseguição ou de solidão somos convidados a romper a barreira dos sentimentos e nos deixar tocar por Deus. São Maximiliano fez essa experiência com a doce e materna presença da Mãe de Deus.

Seja na missão ou na prisão, ele não deixou de “saborear Deus”. É interessante notar que a origem da palavra sabor é “sapere”, que também dá origem à palavra saber, sabedoria. Desta forma, saborear algo é um modo de conhecer e de adquirir conhecimento. Kolbe conhece Deus a partir da Imaculada, assim ele saboreia essa experiência, que assim se torna sensível, com gosto, cheiro e toque.

Pensando assim, podemos perceber que Deus, para São Maximiliano, não é algo abstrato, incompreensível e distante, mas, uma presença viva e próxima, não ligada à imaginação, mas à realidade. Existe um perigo de acharmos que São Maximiliano só fez todas essas coisas porque era santo. Essa afirmação deve ser invertida, ele se tornou santo, consagrado, separado para Deus, porque confiou e se deixou conduzir por Ele. Além disso, deixou claro que essa condução divina foi realizada em sua vida pelas mãos da Imaculada. Seguir Jesus Cristo pelas mãos da Virgem, esse foi o modelo de consagração e exemplo deixado por Kolbe para nós.

Se queremos saborear a presença de Deus precisamos nos deixar conduzir pelas carinhosas mãos da Imaculada. Essa imagem é tão linda! A mãe que conduz seus filhos ao bom caminho. Agora que compreendemos um pouco melhor essa experiência de fé em Kolbe, a pergunta que fica para nós é: e eu, como posso fazer uma experiência de Deus através da Virgem Imaculada? Como essa experiência pode me lançar na confiança em Nosso Senhor Jesus Cristo? Como posso me deixar conduzir pelas ternas mãos de Maria Santíssima?

Em um mundo tão marcado pelo individualismo, pela exposição de si e pelo egoísmo, ter a imagem da mãe que nos conduz por amor ao Amor, nos ajuda a entender o caminho feito por São Maximiliano para chegar à santidade. O martírio, como aconteceu com ele, não foi fruto de uma decisão precipitada ou de um desejo de se destacar. Essa atitude foi o desdobramento de uma vida de entrega e doação aprendidas a partir de sua íntima relação com a Virgem Imaculada. Esse materno convívio fez com que a doação de sua vida no campo de concentração de Auschwitz fosse a coroação de seu amor, assim como foi lhe apresentado ainda na infância.






A graça de Deus nos convoca hoje a sermos testemunhas do Seu amor, da Sua paz e da Sua misericórdia. No entanto, se engana aquele que pensa fazer isso sem a proteção e a condução da Mãe de Deus. Esta presença materna é fundamental para seguirmos esse caminho da graça perseguido e ensinado por Nosso Senhor Jesus Cristo nos Evangelhos e confirmado na vida de tantos Santos(as) que ao longo da história encontraram sentido nesse caminho, muitos dando a sua própria vida.

Seja você padre, casado, solteiro, religioso(a), consagrado(a), todos somos vocacionados à santidade, chamados a estarmos constantemente na presença de Deus, seja qual for nosso estado de vida. Que São Maximiliano Maria Kolbe interceda por nós, para que com a mesma confiança dele, depositando em Deus a sua vida, pelas mãos da Virgem Imaculada, possamos também nos deixar conduzir por esta carinhosa e afetuosa mãe e seguindo seu exemplo, consigamos saborear a presença do Deus em nosso dia a dia em todas as nossas ações.

Fonte: O Mílite

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