“uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça”
Por Paulo Teixeira Em Mariologia Popular

Um sinal no céu

Poesia

Sinal no céu

No livro do Apocalipse, no capítulo 12, se fala de um grande sinal que apareceu no céu. Trata-se de “uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça”.





Esta mulher, no decorrer do capítulo, entra em conflito com um dragão. Os primeiros cristãos interpretavam esta figura feminina tanto como sendo a Igreja e também Maria, a mãe de Jesus.


É relevante que a mulher está em trabalho de parto. Esta figura encontra reflexo no Antigo Testamento em Isaías (66,7) que fala do nascimento de um menino e de um povo.


Os astros adornam a mulher. A lua sob os pés e as estrelas como coroa revelam uma superioridade e a coloca em oposição à figura de uma mulher prostituta que aparece no capítulo 17 do Apocalipse com suas jóias.


A poetisa mineira Adélia Parado também fala de um sinal no céu nestes versos:


Sinal no céu

É um tom de laranja

sobre os montes

um pensamento inarticulado

de que a Virgem

pôs o mundo no colo

e passeia com ele nos rosais.


Adélia Prado expressa uma visão, um encontro ou, melhor dizendo, uma experiência sobre a Virgem Maria, colocando como cenário da poesia o entardecer. A tradicional hora do Angelus não é só cronológica às 18h, mas é, sobretudo, um tempo experiencial de transição do dia para a noite. Adélia descreve a cor do céu e fala de sua posição sobre os montes. Na verdade, este não seria um sinal de um céu distante, mas do céu que toca a terra, do horizonte.


Quando Adélia Prado escreve “pensamento inarticulado” entra no campo da experiência mística que se caracteriza justamente por ser obra do sentimento e da razão, é clara no pensamento e na intimidade da pessoa, mas não é articulada em palavras ou discursos. As orações podem ser consideradas pensamentos articulados com palavras milenares, mas a oração interior é inarticulável, uma experiência íntima e única.


Neste cenário de entardecer com uma experiência inexprimível, Adélia Prado apresenta a figura da Virgem Maria. Conhecida como a Mãe de Jesus, mas também mãe de todos. Da mesma forma como no livro do Apocalipse a mulher é compreendida como a Igreja e Maria ao mesmo tempo, assim também esta figura poética é Maria, mãe de Jesus e ao mesmo tempo a Igreja que acolhe todos os homens.


O mundo, com todas as suas contradições e conflitos, os homens e mulheres com suas alegrias e esperanças, estão no colo da Virgem. Seguros e passeando por entre rosas. Uma característica da poesia de Adélia Prado é a transcendência que aqui se revela com clareza. Todo o cenário do entardecer, a circunstância do pensamento inexprimível e as figuras de Maria e do mundo, são colocadas no cenário dos rosais evocando serenidade, paz, fecundidade, suavidade, abundância.




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