Sistema imunológico
Por Alex Souza Em Para Viver Bem Atualizada em 10 MAR 2020 - 16H21

Sistema imunológico e exercício

Já parou para pensar que existe um sistema que protege nosso corpo contra possíveis doenças, vírus, bactérias e fungos? Confira a relação entre sistema imunológico e exercício

Por Alex Souza, Professor Especialista em Longevidade, Membro da Sociedade Brasileira de Personal Trainers, Mentor da Liga da Longevidade, Mentor do Grupo Exercício e Fé, Bacharel e Licenciado em Educação Física, Pós-graduação em Fisiologia do Exercício no Envelhecimento.



Já parou para pensar que existe um sistema que protege nosso corpo contra possíveis doenças, vírus, bactérias e fungos? Esse sistema é um verdadeiro exército em prontidão, com soldados especializados em diferentes segmentos e com funções muitos bem estabelecidas. Ele é chamado de sistema imunológico ou imune.

Esse sistema tem como função a defesa do organismo e tem evoluído com o passar dos tempos, sendo capaz de nos proteger de microrganismos patogênicos e agentes tóxicos. Ele é constituído por inúmeras células e moléculas que reconhecem e eliminam as variedades de corpos estranhos dentro do corpo. Elas funcionam em duas fases que são denominadas- reconhecimento e resposta (1).

Basicamente, a primeira fase (primeiro batalhão) tem como parâmetro reconhecer o problema e a segunda fase (soldados especializados) necessita gerar uma resposta efetiva para solucioná-lo.

Os sistemas biológicos, inclusive o sistema imune, respondem aos diferentes estímulos provenientes do exercício, levando-os a adaptações que se traduzem em um incremento da capacidade funcional do praticante (2).

As respostas promovidas pelo exercício, tanto agudamente quanto em sua cronicidade, afetam diversos componentes do sistema imune como: a diminuição do risco de infecção (3, 4), a promoção da adaptação de antioxidantes (5), redução da incidência de doenças (6, 7), intervenção não medicamentosa (9), menor incidência de neoplasias (10), atuação de hormônios como catecolaminas (epinefrina), o cortisol, hormônio do crescimento (GH) e peptídeos opioides (endorfinas) (11) e menor proliferação ou mesmo bloqueio da progressão de células tumorais (12, 13, 14).

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Desta forma e dentre tais benefícios, é percebido a relação estreita desses dois sistemas - imune e exercício -, pois atuam juntos na saúde. O primeiro repara danos, o segundo não deixa o dano acentuar ou previne-o. Um defende contra agentes estranhos, o outro constrói um muro para não receber visitas inesperadas. Ou seja, enquanto o exercício foi feito com regularidade, o sistema imune estará cada vez mais forte para desempenhar a sua função de origem, e assim, a manutenção e a preservação da saúde se tornam prioridades, e não mais as doenças.

A Educação Física tem uma ferramenta de uso indiscutível e indispensável para qualquer fase da vida chamada exercício, que por sua vez, deve gerar uma população mais ativa e longe de doenças que são acarretadas e estimuladas pela inatividade física (8).

Pare e pense: não faz sentido nenhum esperar a doença aparecer. Então restitua a saúde e fortaleça o sistema imune por meio do exercício todos os dias.

Referências

1.GONÇALVES, P.N.J. Exercício físico e sistema imunológico [Tese]. Porto: Universidade Fernando Pessoa, 2014.

2. MARTINS, F. S. B. SANTOS, J. A. R. Alterações agudas induzidas por uma provade triathlon longo em diferentes biomarcadoresenzimáticos e da função imune. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 11 Número 1 - janeiro/março 2012.

3. PEDERSEN, B.K., HOFFMAN-GOETZ,L. Exercise and the immune system: Regulation integration and adaption. Physiol Reviews 2000;80:1055-81.

4.LEANDRO, C.G., CASTRO, R.M., NASCIMENTO, E., PITHON-CURI,T.C., CURI, R. Mecanismos adaptativos do sistema imunológico em resposta ao treinamento físico. Rev Bras Med Esporte 2007;13:343-48.

5. HELLSTEN, Y. APPLE F.S. SJÖDIN, B. Effect of sprint cycle training on activities of antioxidant enzymes in human skeletal muscle. J Appl Physiol. 1996;81:1484-7.

6. RADAK, Z.TAYLOR, A. W.OHNO, H.GOTO, S. Adaptation to exercise-induced oxidative stress: from muscle to brain. Exerc Immunol Rev. 2001;7:90-107.

7.HEATH, G. W.HAGBERG,J. M.EHSANI, A. A.HOLLOSZY,J.O. A physiological comparison of young and older endurance athletes. J Appl Physiol. 1981;51:634-40.

8. RODRIGUES, L. F. A redução da fadiga oncológica através do exercício físico. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício 2019;18(1):51-57.

9. BRITO, C. J. et al. Exercício físico como fator de prevenção aos processos inflamatórios decorrentes do envelhecimento. Motriz. Rio Claro, 2011.

10. CURI, R. et all. Metabolic fate of glutamine in lymphocytes, macrophages and neutrophis. Braz J Med Bio Res 1999.

11. ROSA, L. F. P. B. C.,VAISBERG, M. W.Influências do exercício na resposta imune. Rev Bras Med Esporte vol.8 no.4 Niterói July/Aug. 2002.

12. ROSA, L.F.B. C., SAFI, D.A., BECHARA, E.J.H., CURI, R. Hormonal regulation of superoxide dismutase, catalase and glutathione peroxidase activities in rat macrophages Biochem Pharmacol 1995;50:2093-8.

13. NEWSHOLME, E.A., NEWSHOLME, P., PHIL, D., CURI, R., CHALLONER, E., ARDAWI, M.S. A role for the muscle in the immune system and its importance in surgery, trauma, sepsis and burns. Nutrition 1988;4:261-8.

14. BACURAU, R.F.P., BELMONTE, M., SEELANDER, M.C.L., COSTA , L.F.B.P.The role of moderate exercise training on the metabolism of macrophages and lymphocytes from tumor-bearing rats. Int J Sports Med 2000;21:S80.


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