Por Jorge Lorente Em Palavras de Vida Atualizada em 03 JUL 2020 - 17H23

Simples como as pombas

O Reino de Deus é o amor partilhado entre todos os homens, para eliminar as divisões


Imagem de michel kwan por Pixabay
Imagem de michel kwan por Pixabay


A liturgia de hoje nos ensina onde encontrar Deus e garante que Ele não se revela na arrogância, no orgulho, na prepotência, mas sim na simplicidade, na humildade, na pobreza e na pequenez.

Primeira leitura – Zc 9,9-10

A primeira leitura nos apresenta um enviado de Deus, um profeta que vem ao encontro dos homens na pobreza, na humildade, na simplicidade; e é dessa forma que ele elimina os instrumentos de guerra e de morte e instaura a paz definitiva. O livro de Zacarias está marcado por um forte teor messiânico. Refere-se, com frequência, à figura do Messias, apresentado como rei, como pastor e como servo do Senhor. Na primeira parte, o profeta anuncia a intervenção definitiva de Deus em favor do seu povo, na figura do Messias; na segunda parte os oráculos descrevem a salvação e a glória futura de Jerusalém. Neste oráculo, Zacarias descreve o regresso do rei vitorioso a Jerusalém. A cidade é convidada a alegrar-se e regozijar-se, pois o seu rei, justo e salvador, chegou. A entrada triunfal desse rei justo e vitorioso é, no entanto, humilde e pacífica: ele não cavalgará um cavalo de guerra, que é o símbolo do militarismo, mas um jumentinho, filho de uma jumenta. A atitude deste rei contrasta claramente com as exibições de força, de poder, de agressividade dos grandes deste mundo. No entanto, Zacarias esclarece que este rei humilde e pacífico terá a força para destruir a guerra. Ele vai aniquilar os carros de combate, os cavalos de guerra e quebrará o arco do guerreiro, para proclamar a paz universal. O seu reino, diz Zacarias, irá de um mar ao outro mar e do rio Eufrates até aos confins da terra, ou seja, vai abranger a totalidade do mundo. Zacarias deixa clara a preocupação de Deus com a salvação do Seu povo. Na fase em que o profeta leva em frente a sua missão, o povo de Deus conhece uma relativa tranquilidade, mas é um povo subjugado, manipulado, impedido de escolher livremente o seu destino e de construir o seu futuro. É nesse contexto que o profeta anuncia a chegada de um rei justo e salvador, que vem ao encontro do Povo para libertá-lo e para lhe oferecer a verdadeira paz. Para encerrar, convém ressaltar que Deus não perdeu Suas qualidades, nem mudou a Sua essência. O Deus que assim atuou ontem é o Deus que assim atua hoje e que assim atuará sempre.

Salmo - 144 (145)

O salmo 144 é um hino de louvor ao nome e ao amor de Deus, testemunhados na história. O louvor ao nome, revelado no momento da grande libertação, recorda que o Deus vivo é o libertador. O louvor é um reconhecimento das obras que Deus realiza na história. Transmitido de geração em geração, esse louvor mantém a fé que constrói a história segundo o projeto de Deus. O centro desse projeto é o amor de Deus criando liberdade e vida. O Reino de Deus é o amor partilhado entre todos os homens, para eliminar as divisões e desigualdades. No entanto, o amor de Deus age de forma partidária, assumindo a causa dos oprimidos que o invocam e colocando-se contra os opressores. O salmista termina com o convite para que todos reconheçam a santidade do Deus libertador.

Segunda leitura Rm 8, 9.11-13

A segunda leitura é tirada da Carta de São Paulo aos Romanos. Ela nos apresenta um Paulo amadurecido que, depois de vários anos de incansável trabalho missionário, expõe, de forma serena, a sua reflexão sobre a salvação. Paulo lembra aos cristãos de Roma que, no dia em que foram batizados, eles optaram por Cristo e pela vida nova que Ele veio oferecer. Convida-os, portanto, a ser coerentes com essa escolha, a fazerem as obras de Deus e a viverem segundo o Espírito. Paulo fala da unidade da revelação e da história da salvação. Salienta que Deus tem um projeto de salvação e de vida plena que se destina a todos os homens, sem exceção. Depois de provar que todos os homens, judeus e pagãos, vivem dominados pelo pecado, mas que a justiça de Deus oferece vida a todos, sem distinção, Paulo mostra como é que, através de Jesus Cristo, essa vida é dada aos homens e mulheres.

Paulo desenvolve o seu pensamento de acordo com a seguinte sequência: a obediência de Cristo ao plano do Pai fez com que a graça da salvação fosse oferecida a toda humanidade. Acolhendo essa graça e aceitando receber o Batismo, os homens tornam-se todos participantes do dom de Deus. A adesão a Cristo faz os homens livres das cadeias do egoísmo e do pecado e transforma-os em homens novos, e é o Espírito, dado ao cristão no Batismo, que realiza essa vida nova. O Espírito é o personagem central desta Carta. O termo pneuma, que significa espírito, aparece 34 vezes na Carta aos Romanos, e, dessas, 21 são deste capítulo que estamos meditando. De acordo com a perspectiva teológica de Paulo, o Espírito é o responsável pela vida nova que Deus oferece para o homem crescer e se desenvolver. Para Paulo, viver segundo a carne, significa uma vida vivida distante de Deus. O homem da carne é o homem do egoísmo e da autossuficiência, cujos valores são o ciúme, o ódio, a ambição e a inveja. No entanto, viver segundo o Espírito, significa uma vida vivida ao redor de Deus, junto ao Pai, trata-se de uma vida pautada pelos valores da caridade, da alegria, da paz, da fidelidade e do amor.

Evangelho – Mt 11, 25-30

No Evangelho, Jesus louva o Pai porque a proposta de salvação que Deus faz aos homens, e que foi rejeitada pelos sábios e inteligentes, encontrou acolhimento no coração dos pequeninos. Os grandes, os orgulhosos e autossuficientes não têm tempo nem disponibilidade para os desafios de Deus, mas os pequenos, na sua pobreza e simplicidade, estão sempre disponíveis para acolher a novidade libertadora de Deus.

Nos versículos anteriores ao texto de hoje, Jesus havia criticado os habitantes de algumas cidades situadas à volta do lago de Tiberíades: Corazim, Betsaida, Cafarnaum, porque foram testemunhas da sua proposta de salvação e se mantiveram indiferentes. Estavam cheios de si próprios, instalados nas suas certezas, recheados de preconceitos e não aceitavam questionar-se, fazer uma auto análise a fim de abrir o coração à Boa Nova de Deus.

Agora, Jesus manifesta-se convicto de que a proposta rejeitada pelos habitantes dessas cidades encontrará acolhimento entre os pobres e marginalizados, desiludidos com a religião oficial e que anseiam pela libertação que Deus tem para lhes oferecer. Jesus inicia dirigindo uma oração de louvor ao Pai, porque Ele escondeu estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelou aos pequeninos. Os sábios e inteligentes são certamente os fariseus e doutores da Lei que se consideravam justos e dignos de salvação porque cumpriam, rigorosamente, a Lei.

Os pequeninos são os discípulos, os primeiros a responder positivamente à oferta do Reino, e são também os pobres e marginalizados, os doentes, os publicanos, as mulheres de má fama, o povo trabalhador que Jesus encontrava todos os dias pelos caminhos da Galileia. Eram todos considerados malditos pela Lei, mas que acolhiam, com alegria e entusiasmo, a proposta libertadora de Jesus. Acolhendo sua proposta e seguindo Jesus, os pobres e oprimidos encontrarão o Pai, irão tornar-se filhos de Deus e descobrirão a vida plena, a salvação definitiva, a felicidade total.

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